Uma história...
Encontrei uma garrafa linda, verde-folha, com tampa dourada, entre um punhado de areia e um jato de água espumante(água do mar)...Sentadinha, bem quietinha, ela veio com as ondas, na hora da maré um tanto alta, e eu a peguei. Ela brilhava, estranho, mas ela brilhava. E pensamentos vão, pensamentos vêm, resolvi abri-la. E o que eu vi lá dentro? Ar. Muito ar. E junto com este ar um papel. Coisa de cinema, conto de fadas à beira-mar. Neste tico-tico uma frase nada estranha:"Nega-me o pão, o ar, a luz a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria".Pablo Neruda.
Parei. Fiquei estática. Sorri de tristeza. Sorrir de tristeza? É. Sabe aquele sorriso de uma pessoa cara de pau? Então, é esse. Cara de idiota.
Pra quem era? Quando fora colocada em alto mar(ou não)? Sem data, nem assinatura, eu li e reli este bilhetinho umas, nada menos, 50 vezes. Gosto de Neruda. Ele entende dos sentimentos, e a pessoa que enviou a garrafa queria impressionar outra e escolheu bem o poeta.
Enquanto eu lia e relia, cenas possíveis de um casal apareciam em minha mente e povoavam um tanto de ilusões. Imaginações e mais alucinações fazem parte da mente. Principalmente da minha!
Centenas de músicas acompanhavam as cenas como se fosse um filme de verdade. Teatro. Melhor. Dois atores perfeitos que possuem uma química excelente. Sabem atuar muitíssimo bem e até já receberam vários prêmios. Fora do palco são desconhecidos um pelo outro, embora tentem se entender. Nada além do profissionalismo cheio de afazeres e de desgastes físicos e psíquicos. Não saem pra folia nem usam drogas. São atores diferentes. Riem muito quando se encontram em algum evento especial. Muito mesmo! Mesmo assim eles não se conhecem.
Já fizeram mais de 20 peças juntos, de vários temas, cenas esdrúxulas, picantes(nestas ele sempre superava!), horripilantes, amorosas(nestas ela sempre minguava), feias, bonitas, comoventes(eles sempre se emocionavam), infantis...Tudo o que eles faziam dava certo e era muito bem aceito pelo público em geral.
Mas...Tudo dura nada! Passagens compradas, aviões distintos. Ela mudou-se para um país que é sua paixão. Ele foi embora pra Pasárgada, terra dos poetas. E nunca mais se viram ou tiveram algum tipo de contato.
A não ser que aquela garrafa....


1 Comments:
É, Davi, embora nao pareça, mas foi a Hanna Sales mesmo q escreveu!
e bota inspirada, nisso!
rsss
bj
setembro 18, 2006 11:02 p.m.
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